quarta-feira, 4 de julho de 2012

AMAR NÃO É PRENDER


AMAR NÃO É PRENDER
Não sei se quero ir
Só sei que está frio aqui
Você não me aquece
Mas não me deixa ir
Não sei se sei o que quero
Só sei que quero voltar a sorrir
Vou partir amanhã quem sabe te espero!
Se sentir minha falta, não espere por mim
Não sei se quero ficar
Quero em mares calmos navegar
Vou tirar meu pijama, calçar meu All Star
Solte as amarras, quero voar
Amar não é prender
É respeitar é se dar
Não sei se vou sofrer
Só sei que quero livre caminhar
Não sei o que me espera lá fora
Só sei que aqui ta phoda
Não briga não chora
Amanhã tudo melhora...

INSEGURANÇA E ARREPENDIMENTO


INSEGURANÇA E ARREPENDIMENTO

        A criança mal amada, que padece violências fí­sicas e psicológicas, vê o mundo e as pessoas atra­vés de uma óptica distorcida. As suas imagens estão focadas de maneira incorreta e, como conseqüência, causam-lhe pavor. Ademais, os comportamentos agressivos daqueles que lhe partilharam a convivên­cia, atemorizando-a mediante ameaças de punições com seres perversos, animais e castigos de qualquer natureza, fazem-na fugir para lugares e situações vexatórios, nos quais o recolhimento não oferece qualquer mecanismo de defesa, deixando-a abando­nada. Essa sensação a acompanhará por largo período, senão por toda a existência, perturbando­lhe a conduta insegura e assinalada por culpas sem sentido, que a levarão a permanente desconsideração por si mesma, pela ausência de auto-estima, por incessantes arrependimentos.
Nessa instabilidade emocional, sem alguém em quem confiar e a quem entregar-se, a criança constrói o seu mundo de conflitos e nele se encerra, dominada por contínuo receio de ser ferida, desconsiderada, evitan­do-se participar da vida normal, para poupar-se a so­frimentos e do desprezo de que se sente objeto.
Para sobreviver, nessa situação, transfere os seus medos e sua insegurança para a responsabilidade do conjunto social que sempre lhe parece hostil, numa na­tural projeção do que sofreu e não pôde eliminar.
A violência de qualquer matiz é sempre responsá­vel pelas tragédias do cotidiano. Não apenas a que agri­de pela brutalidade, por intermédio de gritos e golpes covardes, mas também, a que se deriva do orgulho, da indiferença, da perseguição sistemática e silenciosa, das expressões verbais pejorativas, desestimulando e con­denando, enfim, de todo e qualquer recurso que des­denha as demais criaturas, levando-as a patologias inu­meráveis.
A violência urbana, por exemplo, é filha legítima dos que se encontram em gabinetes luxuosos e desvi­am os valores que pertencem ao povo, que desrespei­tam; que elaboram Leis injustas, que apenas os favore­cem; que esmagam os menos afortunados, utilizando-se de medidas especiais, de exceção, que os anulam; que exigem submissão das massas, para que consigam o que lhes pertence de direito... produzindo o lixo mo­ral e os desconsertos psicológicos, psíquicos, espiritu­ais.
Numa sociedade justa, que se organiza com indi­víduos seguros dos próprios deveres, na qual os compromissos morais têm prevalência, dignificando a cri­atura em si mesma e proporcionando-lhe recursos para uma existência saudável, os valores educativos têm pri­mazia, por constituírem alicerces sobre os quais se edi­ficam os grupos que a constituem.
Lúcidos, a respeito das necessidades que devem ser consideradas, os seus governantes se empenham com decisão, para proporcionar os recursos hábeis que po­dem facultar a felicidade das massas.
Não obstante, há fatores que contribuem para os desajustes sociais, que precedem o berço e que consti­tuem implementos relevantes na carga genética, pro­gramando seres inseguros, arrependidos, frágeis emo­cionalmente. Trata-se de Espíritos que não souberam conduzir-se, entregando-se a excessos e dissipações que os prejudicaram, mas também perturbaram outras vi­das, produzindo lesões nas almas, que agora ressumam em conflitos inquietadores. Esses mesmos fatores in­duziram-nos a reencarnar-se em grupos familiares onde as dificuldades ambientais e os relacionamentos afeti­vos gerariam insegurança, levando à dubiedade de comportamento — após qualquer ação, boa ou má — à irrupção do arrependimento, mais aflição que sentimen­to de auto-recuperação.
Somente através de uma constante construção de idéias positivas e estimuladoras será possível uma te­rapia eficiente, à qual o paciente se deve entregar em clima de confiança, trabalhando as lembranças trau­matizantes recordadas e preenchendo o consciente atual com perspectivas que se farão arquivar nos refolhos dalma, com propostas novas de felicidades, que volta­rão à tona oportunamente, enriquecendo-o de alegria.
A reprogramação da mente torna-se essencial para a conquista da segurança e da paz. Acostumada ao pes­simismo conflitivo, os seus arquivos no inconsciente mantêm registros perturbadores que deverão ser subs­tituídos pelos saudáveis. Esse material angustiante irá elaborar comportamentos sexuais insatisfatórios, medo de amar, pequena auto-estima, estabelecendo receios na área afetiva, por acreditar-se incapaz de ser amado, assim refugiando-se na autocomiseração, negando-se encontrar o sol do amor que tudo modifica.
Exercícios físicos contribuem para romper essa cou­raça psicológica, que se torna também física, produzin­do dores nos tecidos orgânicos, abrindo espaços para a instalação de diversas enfermidades.
O ser psicológico é o vigilante do domicilio celu­lar. Conforme conduzir-se, estabelecerá as satisfatórias ou negativas manifestações da saúde física e mental.
Aprofundar reflexões nas causas da insegurança e do arrependimento de maneira edificante, procurando retirar o melhor proveito, sem culpa nem castração, é o desafio do momento para cada ser, que então se dispo­rá à superação dos agentes constritores e de desagre­gação da personalidade.