domingo, 22 de abril de 2012

Diário


Diário de um poeta
Quem disse que faço heresia?
Na verdade, é só poesia.
Sempre busquei a liberdade
falando a verdade.
Da vida tenho saudade,
é dura a realidade.
Falei de sentimentos
e muitos momentos.
Agora sei que não valeram nada
e acabei alma penada.
Nem sempre é possível
agradar a todos,
mas se tivesse uma chance,
encontraria modos.
É perigoso escrever,
nem todos podem entender.
O resultado?
Pescoço cortado.
Pode ficar tarde para parar,
seria melhor nem começar.
Tarde eles podem aceitar
e sobre o autor, agora, pesquisar.
Por que demorar?
Antes poderiam me entrevistar.

No amor...


No amor...
Bastam palavras?
Bastam olhares e suspiros!
O clima, o ambiente,
tudo fica mais romântico
somente vendo o olhar
ardendo numa chama de intensa paixão.
Um sorriso que se conforma
em me possuir na distância.
Tudo é melhor no silêncio.
Enquanto o corpo queima,
a boca se cala.
Vale mais seus suspiros
quando estou a sua frente,
que uma palavra no ouvido.
No silêncio,
já se ouve uma grande canção!

Ambição - Auto-retrato



Ambição
Como um peixe,
minha ambição é absorver o oceano
e fazer desaparecer num feixe,
as limitações perante o universo que amo.
A ambição humana pouco me interessa,
pois passo pela vida sem pressa.
Para o escritor, poeta ou músico,
a ambição é unir o princípio e o fim,
em um todo único.

Auto-retrato
Palavras vão sendo desenhadas,
letras que ficam marcadas...
Expressam solidão,
falam de sentimentos diversos.
Nessa diversidade, uma moldura.
Estampado, um retrato
repleto de amarguras.